Bec Editora | "Um mundo se abrirá aos seus olhos"
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"Um mundo se abrirá aos seus olhos"

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Arthur Schopenhauer (1788-1860)

Arthur Schopenhauer nasceu em 22 de fevereiro de 1788, em Danzig (atual Gdansk, Polônia), no seio de uma família de ricos comerciantes. Após uma formação inicial orientada para o comércio, ingressou, em 1809, na Universidade de Göttingen. Intentava estudar medicina, mas frequentou apenas um semestre, dedicando-se em seguida aos estudos humanísticos e científicos. Em Göttingen, leu intensamente Schelling, Kant e Platão, autores que moldaram sua formação filosófica.

Transferiu-se, em 1811, para a Universidade de Berlim e, em 1813, doutorou-se pela Universidade de Jena com a tese Sobre a quadrúplice raiz do princípio de razão suficiente, na qual definiu o princípio de razão – segundo o qual nada é sem uma razão pela qual é assim e não de outro modo – como a trama formal por meio da qual o sujeito apreende o mundo das aparências que se lhe apresenta.

Publicou o primeiro tomo de sua obra capital, O mundo como vontade e como representação, em 1818, e, em 1844, o segundo tomo, composto de suplementos que aprofundam e explicitam sua metafísica. A obra incorpora o núcleo de sua tese doutoral e o desenvolve em um sistema que articula teoria do conhecimento, metafísica da natureza, metafísica do belo e metafísica dos costumes, sustentando, contra a tradição racionalista, que o mundo não é governado pela razão, mas por um núcleo cego e irracional: a vontade. Vieram depois Sobre a vontade na natureza (1836), Os dois problemas fundamentais da ética (1841) e Parerga e paralipomena (1851), cuja forma ensaística e aforística contribuiu decisivamente para a recepção e difusão de seu pensamento.

Sua influência irradiou-se amplamente. Na filosofia, marcou profundamente, entre outros, Nietzsche e Wittgenstein. No âmbito da psicanálise e da psicologia, foi precursor do tema do inconsciente ao sustentar que a vontade, núcleo metafísico da realidade, opera primordialmente fora do domínio da consciência racional. Tal intuição filosófica antecipou desenvolvimentos posteriores em Sigmund Freud e Carl Gustav Jung, sobretudo na concepção de forças psíquicas profundas que condicionam o comportamento e a vida social. No campo literário, influenciou autores como Jorge Luis Borges, Machado de Assis e Augusto dos Anjos; na música, exerceu impacto decisivo sobre Richard Wagner.

Faleceu, aos setenta e dois anos, em 21 de setembro de 1860, na cidade de Frankfurt am Main, onde viveu seus derradeiros anos na companhia de seu cão Ātman, assistindo ao reconhecimento tardio de sua obra, destinada a tornar-se uma das matrizes mais fecundas e impactantes da filosofia ocidental.

Arthur Schopenhauer (1788-1860)
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