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"Um mundo se abrirá aos seus olhos"

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Sêneca (c.4 a.C. – 65 d.C.)

Lúcio Aneu Sêneca (c.4 a.C. – 65 d.C.), ou Sêneca, o Jovem, nasceu em Córdoba, na antiga colônia romana chamada “Hispânia” e foi um tragediógrafo, orador e filósofo estoico romano que viveu sob os impérios de Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio e Nero, tendo este último o condenado ao suicídio, sob a acusação de conjuração contra o imperador na conspiração de Pisão. Deixou uma vasta obra filosófica, pela qual é amplamente reconhecido, que consiste em escritos morais e políticos. O trato sobre o posicionamento correto do homem na sociedade, as interrelações da vida social e a organização das sociedades políticas, além, claro, da busca pela virtude, da relação entre direito positivo e lei natural são as bases de sua filosofia. Ou seja, tratam-se temas abordados desde sempre pela escola estoica e que o inserem num continuum de séculos de estoicismo. No entanto, notaremos as particularidades dessa doutrina no pensamento do autor. De todo modo, é nessa obra filosófica, grosso modo, que se consolida a prática estoica de Sêneca e é nela também que são postas à prova as relações estreitas entre reflexão moral e política – um exemplo desse pensamento político embasado nas reflexões morais estoicas está presente na obra De Clementia, endereçada ao jovem imperador Nero, ainda no início de seu governo.

Na maior parte de seus diálogos como De Breuitate Vitae, De Prouidentia, De Tranquillitate Animi e outros, assim como em suas Epistulae Morales ad Lucilium, é possível notar uma preocupação quase pedagógica do autor com a formação moral dos espíritos, com a transmissão do estatuto do sábio, que se apresenta como a pedra de toque de boa parte das filosofias antigas, desde o epicurismo até o cinismo, capaz de se estabelecer para além das organizações políticas, mesmo em meio à tirania, com o aconselhamento moral, próprio do preceptor, àqueles que buscam alcançar a virtude e a vida tranquila  – algo dessa forma pedagógica irá transparecer também em seu teatro, como veremos. Pode-se dizer, com isso, que o pensamento de Sêneca, à luz do regime imperial romano, funda-se no imbricamento entre política e reflexão moral e que seu repúdio filosófico aos excessos constituía uma espécie de ferramenta que poderia, ou teria o intuito de, buscar a harmonia do corpo político, sobretudo devido a seu status de amicus principis durante determinado período.

De sua obra dramatúrgica, destacam-se as dez tragédias hoje a ele atribuídas, i.e., as oito do cânone: Oedipus (Édipo), Phoenissae (Fenícias), Agamemnon (Agamêmnon), Hercules Furens (Hércules Furioso), Medea (Medeia), Phaedra (Fedra), Troades (Troianas) e Thyestes (Tiestes); além das outras duas, descritas nos manuscritos da tradição A, que incluem Hercules Oetaeus (Hércules no Eta) e Octavia (Otávia) e são considerados textos espúrios. É importante lembrar aqui que essas dez peças atribuídas a Sêneca – apesar das possíveis discussões sobre autoria, tão caras a textos da Antiguidade – representam aquilo que conhecemos hoje, de modo integral, como tragédia romana.

Sêneca (c.4 a.C. – 65 d.C.)
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