"Um mundo se abrirá aos seus olhos"
Menno ter Braak (1902-1940) é considerado um dos intelectuais mais ilustres da Holanda do período entreguerras. Graças à originalidade de seus ensaios e à amplitude de interesses que caracterizaram sua obra, ele rapidamente se tornou uma das vozes mais influentes de sua geração. Ter Braak foi cofundador e membro da diretoria do mais importante grupo de intelectuais que, organizando-se fora da política partidária no Comitê de Vigilância de Intelectuais Antinacional-Socialistas (1936-1939), buscava se opor à tendência extremista da época. Ter Braak era parente de Johan Huizinga (1872-1945), já que o famoso historiador era primo de sua mãe. Menno ter Braak, portanto, se compararia ao longo de sua vida com seu ilustre parente: certamente tomando-o como modelo, mas também mantendo um intenso diálogo crítico com ele e sua obra. Também Nietzsche, seu grande ídolo, foi uma de suas grandes referências. Ter Braak identificou o nacional-socialismo como a principal ameaça à democracia de sua época. Ele já havia se familiarizado com seus métodos agressivos em 1927, quando passou vários meses em Berlim conduzindo uma pesquisa histórica. Em 1937, Ter Braak publicou seu texto mais conhecido, que hoje se destaca como uma das críticas mais mordazes ao movimento nazista: O Nacional-Socialismo como Doutrina do Rancor. Com um alto nível de erudição e finesse estilística, Ter Braak analisa o nazismo sob a perspectiva da psicologia cultural, ou seja, como uma “filosofia de fachada” que — presa fácil do rancor — gerou uma “falsificação de todos os valores”. Com a presente edição, o público brasileiro enfim tem acesso, pela primeira vez, a um dos maiores intelectuais holandeses do século XX. O livro conta ainda com uma carta de Johan Huizinga e uma bela eulogia de Thomas Mann.