"Um mundo se abrirá aos seus olhos"
O ponto de partida para as implacáveis confissões de Espen Arnakke sobre sua infância e criação na pequena cidade de Jante é o desejo de entender os mecanismos que o levaram a assassinar John Wakefield, num lugarejo do outro lado do Atlântico chamado Misery Harbor. Diz-se que escrever ficção é julgar a si mesmo, mas no romance marcadamente autobiográfico de Aksel Sandemose (1899-1965) o juízo recai sobre a comunidade da cidadezinha que fez de Espen Arnakke a pessoa que ele se tornou. O enunciado da Lei de Jante, decorrente do mapeamento que o autor fez do clima de intolerância de Jante, tornou-se um conceito adotado pela psicologia social.
Publicado originalmente em 1933, este que pode ser considerado um dos romances mais subversivos e provocativos da literatura escandinava chega finalmente ao Brasil, em tradução inédita de Leonardo Pinto Silva. A edição conta com um prefácio exclusivo de Christian Dunker, que analisa a narrativa do ponto de vista da psicologia, e textos críticos de Sigrid Undset, Espen Haavardsholm, Knud Sørensen e do próprio Aksel Sandemose.